16 de Junho de 2022

Lançamento da Afrikana – arte africana em capulana.


No dia 11 de junho de 2022, nasceu a AfriKana como forma de apoiar e engrandecer a arte e o artesanato africano.

"A ORIGEM DA CA-PULANA EM KA-POLANA

O termo ou vocábulo baNto moçambicano, kaPulana, remonta a meados do século XIX, originado na então vila colonial portuguesa, da Ponta Vermelha. Na origem do nome capulana, estariam as feiras periódicas que se realizavam nos terrenos do chefe tradicional Pulana Mpfumo, no século XIX, irmão do grande rei ronga Mashakene Mpfumo. Seu território abrangeria hoje, na actual cidade de Maputo, da Ponta Vermelha ao longo da avenida Julius Nyerere (ex – avenida António Enes), bairro da Sommerschield até ao campo de Golf, barreiras da marginal, Praia da Polana à Costa do Sol, limitando com as Mahotas.

O local onde se situa o Hotel Polana teria sido a sede do chefe ou príncipe Pulana.

Seria, mais tarde, expulso de suas terras para fora da vila europeia que crescia, segundo uma lei portuguesa da época: Lei de 4 Dezembro de 1861 e decreto de 10 de Outubro de 1865. (Na próxima crónica, a História da Polana). A feira tradicional seria muito concorrida. Comerciantes indianos vinham vender seus tecidos orientais e bugigangas, muito apreciados pelas populações ronga da região, em particular, a população feminina.

Daí ao se deslocarem para compras na feira dizerem, em idioma local ronga: ‘ni a ka-Pulana’ – vou às terras do Pulana. KA é prefixo baNto para onde se vai. Em kaMpfumo (Lourenço Marques e Ponta Vermelha coloniais), as ‘capulanas,’ eram tecidos da Indonésia, da ilha de Java, de padrão tradicional denominado de BATIK, em idioma local indonésio.

Em meados do século XIX, esses tecidos começariam a afluir às terras do chefe Pulana (Polana). Do grupo de holandeses da indústria têxtil na colónia da Indonésia, ilha de Java, destaca-se Pieter Fentener van Vlissingen na exportação de tecidos batique, a partir de 1846. Eventualmente, também, beneficiando da introdução, em 1830, do ‘Kultuurstelsel’ (sistema colonial de cultura agrícola, compulsiva para os nativos indonésios)."